quinta-feira, 13 de maio de 2010

...

Lembro-me de em tempos me pedires para que te falasse, quando te encontrasse no meio da multidão e fossemos um para o outro perfeitos desconhecidos.
Esse dia chegou. Olhei para ti com desprezo, esquecendo que em tempos te toquei e te amei. Tu... tu nem olhaste. Tentei afastar-me o mais rápido que pude, fazendo parecer que eras apenas mais uma cara no meio de outras. Passei despercebida por trás de sombras, sabendo que acompanhavas cada movimento meu. Corri sem me preocupar com o que me rodeava esquecendo que havia chão para pisar. Tanto andei que acabei por cair literalmente a teus pés. Foi só aí que parei, com a sensação de lucidez com que se acorda de um sonho. Apenas olhaste de soslaio, com a expressão de um fidalgo olhando para um servo. Não me levantaste nem deste uma mão para me segurar. Senti-me doente. Fraca, deitada numa poça de lama entre pessoas. O teu corpo dizia "acontece" com um gozo contido que não mostraste em nenhum instante. Levantei-me enrubescida sem saber o que fazer. Em seguida desapareceste. E só ficou a esperança de que voltasses para me sarar as feridas.

0 comentários: