Dentro de uma estufa de vidro
Ferrugem corroi o metal.
Poucos sao os vidros que se encontram intactos...
Estilhaços...
Não há flores, e as plantas murcharam.
Mas há frascos atrás de frascos, atrás de frascos
De fetos mortos.
As moscas voltaram.
Cuidam dos ovos, que dormem no berço que é em todo o lado,
em cada espaço, em cada humano abortado.
Monstruosidade. Delicado acto inesperado e impensado.
Amaldiçoado feto amado inconveniente e imaculado.
... e "O Senhor esteja convosco" ...
Larvas."Nada se perde, tudo se transforma". Somos larvas.
O que mais haverá para além de larvas?...
"Não matarás"
Amor aos vermes...
Tubos de ensaio fazem a decoração
...
E lembro-me que num dia de sol
Viu-os tirarem os ossos do caixão...
Vermes.
Só o conheci já em pó.
Mas fui lá, como quem vai dar um passeio ao parque,
Numa tarde em que deveria ter brincado com os amigos imaginarios.
Demasiado nova para perceber.
Mas agora recordo-me,
Como se tivesse sido ontem,
O primeiro encontro com a Morte, sem me comprometer.
Mas não devia estar aqui, foi um engano.
Não vou convalescer.
Neste meu submundo profano,
Em breve vou apodrecer.
"Se eu soubesse"... "Se"... Vermes...
Tarde de mais.
Tantas vezes a mascara foi colocada...
Que agora ficou colada.
E aqui na estufa fria cheira a podre ...
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Estufa Fria
Publicada por Children of the korn à(s) 20:40
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