quarta-feira, 17 de março de 2010


terça-feira, 9 de março de 2010

:D


domingo, 7 de março de 2010

Antiga Rua

Deambulo por aqui...
Testemunhando a inabalável beleza
Destas ruas que cheiram a tristeza,
Melancolia e tradição.
Quantas almas por aqui passaram
Olhando janelas que não mudaram,
Admirando com portuguesa paixão?

Permaneço por uns tempos aqui.
Inspiro o fumo de um cigarro
Imaginando amores que não possuí.
O fumo é mais que fumo, pensamentos,
Metáfora destes que inalo quando expulso.
Chega a ser um calmante dos tormentos,
Chega a ser, o acender, um impulso.

Penso em nada e ao mesmo tempo em tudo.
Movida pela saudade que nunca tive.
Um sofrimento que gosto,leve e mudo,
Lembrando personagens e cenários
Penso em histórias em que nunca estive.
O passado neste presente, que nao mensuro,
Que irá ser lembrado por alguém
Que aqui passe,como eu, no futuro...
...Memórias...

Xadrez

A Joana lançou o primeiro peão. O Carlos concentrou-se para tentar antever o desenrolar do jogo. Meti as mãos nos bolsos enquanto via as suas jogadas, e algo ecoava dentro da minha cabeça, mas não soube o quê. Tentei vagamente perceber, mas acabei por desistir. Na verdade não queria vasculhar dentro dos meus pensamentos. O tabuleiro foi ficando com menos peças, e apenas me consegui mexer para fumar um cigarro. O Carlos falou sobre qualquer coisa de batalhas e jogos de Xadrez e lembrei-me de algo relaccionado com o desenrolar de um jogo dentro de uma casa enquanto os inimigos se aproximavam. Talvez algum acontecimento histórico de que agora não me recordo. Mas associei a qualquer outra coisa e fez sentido.
Encontrava-me num estado, em parte parecido à ataraxia.
O fumo dos cigarros fez-me arder os olhos. E aquela atmosfera lembrou-me a geração beat, dos artistas num bar entre uma nuvem de fumo do tabaco. Uma dor de cabeça espreitou, mas apetecia-me escrever. Não o fiz. Era a minha vez de jogar...
Ultimamente as coisas parecem desmoronar em meu redor e seguida desse desmoronamento, a reconstrução. Em nada contribuo. Se calhar o Destino se esteja a encarregar disso. Por algum motivo, isso não me anima. Tudo o que gosto desaparece, e no seu lugar outras coisas fazem a sua aparição, mas nunca me hei de habituar a isso. Tento apenas criar uma barreira a tudo o que é novo de modo a não poder perder mais nada. Nem sempre consigo, apesar de se ter tornado quase um modo de vida.
O jogo terminou e vi, reflectida nele, a minha personalidade.